Um amigo que se vai, uma obra que fica
Caro leitor, o amigo falecido de que falo na nota anterior chama-se Marco Antonio de Carvalho, que foi objeto de post aqui no sábado, por conta da biografia sobre Rubem Braga que ele escreveu e já está com a editora Globo para ser lançada. Ele chegou ao Rio na sexta para ver o filho, uma pequena jóia chamada Gabriel. Estava hospedado em minha casa. Nunca foi minha intenção falar de minha vida pessoal, mas Marco, além de amigo querido, era jornalista e escritor, assuntos deste blog. Ainda não sei se amanhã conseguirei voltar à rotina. Deus queira que sim. Abaixo, reproduzo o pequeno obituário que foi distribuído hoje por outro amigo. Boa noite, caro leitor.
Marco Antonio de Carvalho
Autor da biografia de Rubem Braga, que será publicada pela Editora Globo, faleceu ontem no Rio
Jornalista e escritor, Marco Antonio de Carvalho nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, ES, em 1950, e deixou a cidade em 1964. Estudou no Liceu Muniz Freire, famoso educandário capixaba. Professor de Literatura Brasileira é também autor dos seguintes livros (Vinte Contos, A história do lobo, Branco total, Pato sem patrão, A dança de Klauss Vianna, João e a bruxa) e textos para teatro (O que fazer pela flor?, Festa). Sua obra publicada mais recente, pela Booklink Publicações, foi Memórias de Cachoeiro, para o qual entrevistou figuras exponenciais da vida econômica, política e social da cidade, resultando num bela reconstituição da vida local, no século XX. Sua obra mais arrojada, porém, é uma alentada biografia de Rubem Braga, o grande cronista nacional, também cachoeirense, à qual dedicou seus últimos anos. Viajou por todo o país, e entrevistou 250 pessoas, em busca de informações que pudessem contribuir para um retrato realmente fidedigno dessa destacada figura do jornalismo e da literatura nacional, considerado o renovador da crônica, nos moldes como é, hoje, praticada. O livro será publicado pela Editora Globo, no segundo semestre deste ano. Escreveu a adaptação para o teatro da obra de Jorge Amado, Dona Flor e seus dois maridos, que também está com estréia prevista para o segundo semestre, sob a direção de Antonio De Bonis. Este ano, foi convidado pela Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim para ser o curador da segunda edição da Bienal Rubem Braga, que será realizada em 2008, e coordenava oficina sobre crônica para professores e alunos da rede municipal de ensino daquela cidade. Marco Antonio de Carvalho, durante muitos anos, residiu em São Paulo, onde escreveu para jornais e revistas como Última Hora, Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Isto é, Planeta, Jornal Veículo e Transporte Moderno. Era colaborador do caderno Prosa e Verso, de O Globo e do Caderno B, do Jornal do Brasil. Residia no Rio de Janeiro. A causa da morte foi uma parada cardíaca. O enterro será amanhã, 26 de junho, às 9h30, no cemitério Jardim da Saudade, Sulacap, em Jacarepaguá, Rio.
12 Comments so far
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Força para quem fica. E tenha certeza: ele já está lá em cima, com o Rubem, em paz, pedindo para que não sofram por aqui. Força, menino! E bela e merecida homenagem aqui. um grande beijo.
Força pra você, Bruno. Um grande abraço.
Obrigado caros. Estarei de volta logo.
volta, é claro. não há nada de errado em tentar, e por fim conseguir, voltar à normalidade. é, afinal, o que nos é exigido.
Nossa. Sinto muito.
This too shall pass.
obrigada bruno. É confortante saber que meu pai é tão querido, e que o trabalho dele é respeitado. A perda dele dói muito.
Não sei se nós já nos falamos antes.
Mas obrigada.
Porque parou de bater um coração tão bom????
Que o pai da minha filha nunca pare de ser reconhecido como um grande homem.
Sônia Mota
Caras Sônia e Julia,
ainda é difícil falar sobre isso, pela forma como tudo aconteceu. Mas saiba que o Marco estava bastante feliz com os frutos que, finalmente, ele começava a colher após anos de dedicação abnegada e exaustiva a um projeto de vida: a biografia do Rubem.
Um abraço afetuoso e força,
Bruno
caro bruno,
conheci o marco aqui em vitoria na casa do joao moraes.fiquei muito impressionado como a figura dele. o jeito como ele falava das coisas e pricipalmente como ele cantava seus “chiliques hermeticos”. soube do falecimento dele ne segunda-feira, quando eu chegava para minha segunda visita a cachoeiro e passei o dia inteiro olhando a cidade com profunda melancolia. obrigado por dizer mais sobre esta pessoa que, mesmo eu tendo conhecido por tao pouco tempo, quadarei para sempre como uma das mais queridas.
gauche
Gauche, Marco era um grande sujeito, um amigo querido. Ainda é difícil encarar os fatos, lembrar do que aconteceu, enfim. O tempo, o tempo… Obrigado pela visita e mensagem gentil. Um abraço.
Bruno, ainda não nos falamos, mas já sabemos o tamanho das coisas cheias do vazio que o Marco deixou. Mas sabemos também que não é pouco o que fez e o que está por vir. Sei mesmo o quanto estava feliz e quantas coisas estavam em planejamento. Não tenho o contato da júlia, mas quero que ela saiba que estavamos nos preparando para gravar o Chiliques Herméticos com Marco cantando as músicas que ele queria que ela ouvisse em sua voz. Ha uma fita mal gravada disso, mas vamos gravar o repertório atual que ele mesmo montou em outras vozes aqui dos amigos. vamos assim cumprir parte de seu desejo.
Bruno, força aí nos momentos dos inevitáveis flashes invasivos; lembranças impositivas do ultimo momento. vale mesmo é todo o resto que vivemos com nosso querido Baudelaire Cisplatino.
Tive o privilegio de conhecer o Marco em Guapimirim, no Rio de Janeiro e hoje, com tristeza, buscando uma outra coisa fiquei sabendo de seu falecimento.
Meu coraçao ficou apertado… Ele me deu uma grande força analizando o meu livro e me indicando a editora Booklink. fiquei realmente chocada e triste.
Que Deus de forças a sua esposa e muita saúde ao seu lindo filho. È realmente uma grande perda…
Fernanda Santos