Comentários bobos de leitores bobocas, ou a invasão virtual bárbara

Comentário bobo aqui vira anedota sem entrar no arquivo.

Tenho tido muita sorte com as pessoas que visitam este blog. São gentis, inteligentes, fazem sugestões que sempre aproveito. Não sou adepto da concordância irrestrita. Pelo contrário, o contraditório, o contraponto, são sempre bem-vindos e importantes. Até agora, em quase um mês de blog, só tive quatro comentários que rejeitei porque eram bobos. Isso mesmo, bobos.

Os três primeiros os comentários logo abaixo foram enviados para o texto Ateístas são cristãos plantando bananeira. O texto era uma provocação sobre as celebridades ateístas - Christopher Hitchens, Richard Dawnkins, Daniel Dennet. E nem rendeu o que eu esperava em termos de discussão (creio que por conta da minha incompetência para abordar o assunto). Veja só quão bobos:

Putz | putamerda@hotmail.com | IP: 201.19.207.157

Putz, tu me fez chorar, cara =’(

16:55, 4/7

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Cida | Vrflu@yahoo.com.br | IP: 201.7.121.62

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Sou Feliz por ser atéia, Postanto nada disso faz sentido;pelo pelo pra mim não.
Cristãos já tiveram milênios pra consertar o mundo e não obtiveram exito, agora é isso querem de volta os pagadores de dízimos?

19:27, 4/7

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Junior | osiasferreira@ig.com.br | IP: 200.138.114.119

Por q não os cristãos são hindus plantando bananeira, que tentam matar os vários deuses hindus??

Ou os ateus são budistas plantando bananeira? Pq não…

Pois é, o primeiro já se revela pelo nome no e-mail. Quis fazer gracinha tentando ser irônico, mas, uau!, conseguiu o troféu de bobo da corte in chief.

A mocinha, noves fora os erros de português, que já denotam sua condição intelectual, mistura alhos com bugalhos na vã esperança de parecer inteligente. Cristãos já tiveram milênios para consertar o mundo? Hmmm, que cousa, não?

O tal Junior faz duas perguntas cujas respostas são as mesmas e doídas de tão óbvias: não porque eu tratei no texto dos ateístas, não dos hindus. Satisfeito?

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O último comentário bobo:

Abaixo o mito | saerc@hotmail.com | IP: 201.26.97.90

Chega de tanta mentira para incensar Bruno Tolentino. Fatos:

1. Ele nunca foi professor em Bristol, Essex e muito menos em Oxford. Apenas editou UM NÚMERO da revista “Oxford Poetry Now”.

2. Ele foi condenado por tráfico de drogas na Inglaterra. Cumpriu 22 meses de prisão e saiu por bom comportamento, não porque “o governo inglês o perdoou e reconheceu que cometeu uma injustiça”.

Mentira não tem vez.

0:00, 4/7

Bom, o moço se arvora detentor da verdade e grita, como uma mocinha de filme de bangue-bangue: “Mentira não tem vez! Mentira não tem vez!” E cai no chão desfalecido. Como dizia painho, personagem de Chico Anysio: “Afe…” O ônus da prova, no direito brasileiro, cabe a quem acusa. Tudo mentira, não? E cadê as provas, bocó?

Vou continuar rejeitando comentários assim e não pretendo repetir a dose e dar voz aos incautos. Tenho dito. Bilu.

2 Comments so far

  1. ludovico Julho 9th, 2007 1:38 pm

    Mesmo que a biografia de Tolentino fosse toda ela ficcional, a obra dele não estaria nem um pouco comprometida. O método crítico do século XIX baseado na biografia do autor já está obviamente ultrapassado (como dogma, está claro - um recurso à biografia aqui e ali é válido). Diante disso, não vejo razão para o alvoroço aí do comentarista anônimo sobre o que é ou não é verdade. E, particularmente, acho que, se a biografia fosse mesmo ficcional, seria mais parte ainda da obra - uma vida cheia de peripécias está esteticamente de acordo com a obra poética de Tolentino, de modo que seria até um recurso nos modos de Fernando Pessoa - um charme a mais para uma poesia que nem necessita disso.

    Acontece algo parecido a respeito do Gerardo Mello Mourão. Ezra Pound lhe enviou uma carta, onde dizia que Gerardo em “O país dos Mourões” tinha alcançado tudo o que ele, Pound, falhara. Embora um trecho da carta apareça nos livros de Gerardo, os ressentidos minimalistas põem em dúvida. Espero que a correspondência de Gerardo saia algum dia para acabar de vez com o murmurinho.

    Agora, a bem dizer, ter editado revista em Oxford ou recebido o maior elogio de Pound não fede nem cheira para a obra. Fiquei embasbacado diante da poesia de Gerardo aos 17 anos, quando sequer sabia quem diabos era Ezra Pound direito. E o Tolentino me fisgou com os primeiros poemas de “A Balada do Cárcere” numa leitura ocasional - mas fatal - em pé, numa livraria, sem nunca ter ouvido falar de Bruno Tolentino - fui folhear o livro porque lembrei da Baláda do Cárcere, do Oscar Wilde, poema que eu adorava. O problema dessa gente é que lhe falta gosto.

  2. Bruno Garschagen Julho 9th, 2007 9:48 pm

    Ludovico, depois disso que você escreveu, não tenho nada mais a dizer. Você foi exato. Abração.

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