Cinco livros, cinco autores, cinco leituras, cinco doses de uísque

Segura na mão de Garschagen e vai...

Para dar conta de tudo (leituras, trabalho formal, blog, vida pessoal), estou tendo que chupar cana e assoviar ao mesmo tempo. Não está sendo fácil, mas prazeroso. Atrasado (e por isso já me desculpo de antemão), respondo ao amigo Pedro sobre os cinco livros que li ou estou lendo. Vou começar pelo final, ou seja, pelo último livro que comecei a ler:

1) Napoleão, biografia do dito cujo escrita por Paul Johnson, meu historiador predileto. Estou ainda no início, mas fiquei preso já na introdução. Numa frase do primeiro parágrafo Johnson dá a amplitude de Napoleão: “Por causa dele podemos refutar a crença dos deterministas de que os acontecimentos são governados por forças, classes, economia e geografia, e não pelas vontades poderosas de homens e mulheres”. Mais? Sim: “Bonaparte não foi um ideólogo, e sim um oportunista que aproveitou o acidente da Revolução Francesa para alçar-se ao poder supremo”. Diogo Mainardi disse o mesmo de Lula na entrevista que publiquei aqui.

2) Reparação, de Ian McEwan. O livro é muito celebrado. Ainda não vi nada nas primeiras 100 páginas. Aconteceu o mesmo com Madame Bovary, que terminei babando, louco para recomeçar. Vamos ver, vamos ver.

3) Doutor Fausto, de Thomas Mann. É um monumento, de fato, mas tem muita gordura, páginas dispensáveis. Estou enrolando para terminar a releitura desse livro. Mas já estou no finalzinho. Quero reler a Montanha Mágica também, assim como os outros para um ensaio futuro (espero que nem tão futuro).

4) A ingratidão, de Alain Finkielkraut. É uma grande e bela entrevista, tipo as Memórias, de Raymond Aron. O livro provoca uma discussão interessante: até que ponto esse afastamento forçado do indivíduo de hoje de sua herança histórica o torna mais livre? A ignorância, sabemos, nos livra dos dissabores da reflexão. O conhecimento causa sofrimento, não há dúvida, e nisso estou com Schopenhauer e não abro. Um dos aspectos extraordinários desse livro é o passeio pela história intelectual, como Finkielkraut equilibra referências atuais e passadas para referendar seu pensamento ou elucidar uma questão.

5) O mundo do whisky, de Jim Murray. O livro é uma delícia. Comparável à qualquer single malt excelente. Murray é rigoroso, criterioso e bem humorado. E autor de comentários como esses:

Dalmore - Se topar com o whisky de 12 anos, ultra-saboroso, adquira duas garrafas, pois a primeira não durará muito tempo!

Pittyvaich - Não desperdice seu dinheiro com esse whisky.

Rosebank - Se algum dia encontrar um whisky de 8 anos, volte a hipotecar sua casa para adquiri-lo.

6 Comments so far

  1. Na Prática Julho 13th, 2007 10:46 am

    Rapaz, Reparação é muito bom, realmente vale a pena terminar. Se quiser ler mais dois bons McEwans, recomendo Enduring Love e The Innocent.

  2. dgr Julho 13th, 2007 11:04 am

    McEwan é silly. Simples assim.

    Tem a habilidade de tornar tudo muito chato, o que pode explicar o carinho de muitos críticos e leitores.

  3. Tiago Julho 14th, 2007 11:33 am

    Estou pesquisando novas leituras. Já li a biografia de Napoleão. Será que A Montanha Mágica será o próximo? Estou em dúvida. Thomas Mann ou a tradução de Ulisses de Joyce?

  4. luiz fernando de lellis Julho 14th, 2007 12:49 pm

    Não gosto do termo “porre” principalmente em literatura, mas não consegui, até hoje terminar “Dr Fausto”, mas aconselho ” A gênese do Doutor Fausto” do mesmo homas Mann que diz ser romance sobre um romance, no qual conta todos os passos, o que leu, pesquisou, fuçou ( se bem me expresso), enfim tudo o que caminhou para finalmente,depois de tudo, escrever Doutor Fausto, para mim é bem mais interessante do que o prório romance, afinal como você diz, tem muita gordura. PS da Editora Mandarim. Luiz Fernando

  5. admin Julho 14th, 2007 1:29 pm

    Tiago, bela dúvida, não? Vá de Ulisses e depois escale a Montanha Mágica. Quando terminar, diga o que achou. Abração.

  6. Bruno Garschagen Julho 14th, 2007 1:38 pm

    Luiz Fernando, insista no “Doutor Fausto”, que, fora partes chatérrimas sobre teoria musical e a gordura de descrições desnecessárias, tem diálogos deleitosos e passagens que ficam gravadas na memória, e olha que minha memória é péssima. Eu li “A Gênese do Doutor Fausto”, numa edição horrorosa, com capa verde e fonte de letra ginasial. E antes de “A gênese” quis ler “Fausto”, de Goethe, e um livro com o título “Fausto”, que era a história da lenda alemã do dito. Só não li ainda “A Trágica História de Dr. Faustus”, de Christopher Marlowe. Aliás, tenho esse mal. No caso de Joyce, mergulhei antes nos ensaios de Edmund Wilson e no “Homem comum, enfim”, do Burguess. Abração.

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