As reações à crítica

A crítica serve, às vezes, como uma escada que complementa a obra, mas nunca, em hipótese alguma, deve sobrepujá-la, a não ser quando o livro é ruim de dar dó.

No dia 28 de julho escrevi o texto André Sant’Anna é o Paulo César Pereio da literatura brasileira recente. Na caixa de comentários recebi isso:

André Sant’Anna Julho 31st, 2007 1:24 pm

Bruno, meu amigo. Você é muito corajoso também, por dar nome aos bois e desmistificar esses escritores metidos a vanguardistas. Continue assim. Você viu como tanta gente concorda com você. e quando sai o livro? Te amo.

André Sant’Anna

Não sei se esse que se assina André Sant’Anna é o escritor alvo de minha crítica ou algum gaiato se fazendo passar por ele. Levando em conta que seja o próprio, que cousa, não? Veja que ele tenta ser engraçadinho, recorrendo ao estratagema de concordar para me espetar com uma tentativa vã de fazer ironia. O que eu tinha a dizer sobre esse moço já foi dito. Eu apenas quis me servir disso para falar sobre a reação do escritor à crítica. Há, normalmente, três:

1) Acesso de raiva que espalha baba, traduzida na tentativa de desqualificar moralmente o critico e o veículo;

2) Reação espasmódica violenta, geralmente manifestada com o escritor posando da grande vítima do mundo;

3) Catatonia extrema, quando o escritor simula indiferença, mas aciona seus contatos para detonar o crítico ou pedir a cabeça do profissional.

Todos eles concordam numa coisa: defendem uma tal de crítica construtiva que nada mais é do que uma passada de mão na cabeça. É a crítica ou resenha que tenta justificar o mau escritor, a má literatura. O criticado, então, se comporta como o poodle quando acariciado pelo dono.

Quando um escritor não gosta de uma crítica deve, ao menos, fingir indiferença, dizer que não lê crítica etc. É mais digno num ambiente que não prima muito pelo bom-caratismo e dignidade.

4 Comments so far

  1. Marcelo Augusto D'Amico Agosto 4th, 2007 9:06 pm

    Fabuloso seu trabalho escrito. Estou conhecendo somente hoje, e o pouco que conheci neste site e em outro que fala sobre o Diogo Mainardi já foi suficiente para me tornar fã. Abraço.
    http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marcelodamico http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/stanleydamico

  2. André Sant'Anna Agosto 6th, 2007 12:47 pm

    Está certo, Bruno. Você tem toda razão. Vou seguir o seu conselho e parar de escrever. Prometo. Quer dizer, se por acaso eu escrever algo, vou perguntar para você antes, para saber se a ousadia merece ser publicada. Mas acho que não vai merecer, não. E também vou tentar vender laranja na rua, já que não vou poder mais viver de literatura como vivi até hoje, sem merecer é claro. Aliás, os meus editores da Companhia das Letras já me avisaram que, depois de você mostrar como eu sou ruim, nunca mais vão publicar um livro meu. Cara, você destruiu a minha vida. Vou me suicidar, coisa que eu já deveria ter feito há muito tempo. Continue assim, nessa cruzada contra textos mal escritos.

    Forte abraço,

    André

  3. Lúcio Jr Agosto 13th, 2007 11:48 am

    André, não liga não. Informe ao Pereio para responder também. Parabéns pela resposta aos direitosos fracotes da Veja. Lá já teve crítica de três linhas de um livro sobre Clarice Lispector! A revista abriga Diogo Mainardi, o rapaz é cheio de processos, caso mais de polícia do que de jornalismo. Pereio é excelente ator, arrasou em filmes como Eu Sei que Vou te Amar. Esse moralismo contra palavrão é o mesmo que vomitam contra o cinema nacional. André, seu texto Meio Ambiente é do Caralho da Piauí matou a pau. O prefeito da minha cidade (Bom Despacho/MG) é desse jeito, foi um retrato falado.
    Continue só para vermos a cara desses paspalhos.

  4. Geane Agosto 27th, 2007 8:15 am

    Um sujeito que confunde estilo com escrever mal nem merece comentários, André. Discordar da sua opção estética é válido, discutir se consegue o efeito pretendido (pelo jeito está conseguindo; a reação dele é prova disso), se há pertinência social e o escambau é normal… Mas nem perceber que há uma forma de escrita criada com uma intenção específica é duro.

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