Richard Dawkins é o São Tomé das ciências

No Prosa & Verso:
Entre o delírio e razão
Um dos maiores evolucionistas do mundo destrói a idéia de Deus
O biólogo Richard Dawkins, um dos mais proeminentes evolucionistas da atualidade, nunca foi um homem de meias palavras. Figurinha fácil nos debates cada vez mais freqüentes nos Estados Unidos e na Europa sobre criacionismo, design inteligente, extremismo religioso e, claro, o papel da ciência nisso tudo, ele inflama qualquer discussão com sua defesa ferrenha do ateísmo, suas duras críticas às religiões e sua retórica nada disposta a concessões. Ele já foi chamado de fanático, extremista, “o mais raivoso dos ateus” e chegou mesmo a ser comparado a Osama bin Laden. Mas nada parece intimidá-lo em sua cruzada em defesa da razão. Muito pelo contrário.
Antes de falar sobre Dawkins, um alerta: é possível, em pleno ano de 2007, alguém escrever um texto usando expressões como “nunca foi um homem de meias palavras”, “nada parece intimidá-lo em sua cruzada em defesa da razão”?
Voltando à vaca fria, já tratei desse assunto em Ateístas são cristãos plantando bananeira. Disse e repito: quanto mais se tenta matar Deus mais se consagra a sua existência. Os ateístas profissionais estão aí para provar isso.
Em entrevista ao caderno de O Globo, Deus é uma impossilidade completa porque sua existência não pode ser comprovada cientificamente. É argumento de jardim de infância, não de alguém que pretenda ser um contraponto num debate sério. Além do mais, se fosse possível comprovar cientificamente a existência de Deus, cientistas como Dawkins iriam inventar outra papagaiada. Imagino a seguinte situação: Deus desce na terra, sai por aí mostrando a todos que existe e Dawkins dá uma entrevista dizendo: “Imagina se esse sujeito fosse Deus mesmo iria vir até aqui. É um impostor! Pode escrever aí, repórter! Esse não é Deus, é um impostor”. E haveria mais cientistas que, a exemplo de Dawkins, iriam defender uma prova da inexistência física de Deus.
Um ponto: se Dawkins espera uma prova para acreditar em Deus, quer dizer que ele não desacredita, pois não? Dawkins é o São Tomé das ciências.
Cientistas como Dawkins rugem contra a religião e se comportam como o fanático religioso, para quem é intolerável a existência de um contraponto ou de qualquer argumento contrário à sua crença. Esse cientistas vêem a ciência como a grande salvadora do mundo, tentando inserir pontos de conflito onde há pontos de encaixe.
Felizmente, a matéria dá um espaço, ainda que esprimido, ao cientista Francis Collins, diretor do Projeto Genoma Humano, que concilia de forma inteligente religião e ciência. E, honestamente, acho uma bobagem esse negócio de querer sempre contrapor religião e ciência. É coisa de idiota tentar abrir mais fissuras em dois assuntos extraordinários em vez de estabelecer pontes, como faz Collins, que não vê problemas na existência de Deus e na teoria da evolução, vendo nesta uma criação daquela. “O domínio da ciência está em explorar a natureza. O domínio de Deus encontra-se no mundo espiritual, um campo que não é possível esquadrunhas com os instrumentos e a linguagem da ciência”, diz Collins, preciso, identificado uma limitação importante que explica o fato de os cientistas até agora não só não terem encontrado uma prova científica da existência de Deus como quererem-na de forma fanática.
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SOU ATEÍSTA E NÃO UM CRENTE QUE PLANTA BANANEIRA, AO CONTRÁRIO DA MAIORIA ACACHAPANTE DO MUNDO QUE VIVE CAINDO E TORNANDO O PLANETA CADA DIA PIOR E MAIS DEPRIMENTE DE SE VIVER. SOMOS ATEÍSTAS PORQUE TOAMOS PARTIDO E NÃO SOMOS INDIFERENTES COMO GRAMSCI BEM DISSE: “ODEIO OS INDIFERENTES, POIS NÃO PODEM EXISTIR OS APENAS HOMENS ESTRANHOS À CIDADE, QUEM VERDADEIRAMENTE VIVE NÃO PODE DEIXAR DE SER CIDADÃO E TOMAR PARTIDO. VIVO!SOU MILITANTE!POR ISTO ODEIO QUEM NÃO TOMA PARTIDO!ODEIO OS INDIFERENTES!” E SIM: o “deus” de vocês é um DELÍRIO!
Acaso, um delírio
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Não há indícios de nada que ocorra sem causa no universo.
Nenhum fato pode ser comprovadamente chamado de “acaso” a menos que isso signifique um grau de imprevisibilidade acima da nossa compreensão.
Se toda a história evolutiva desde os inorgânicos pudesse ser colocada num filme de curta duração, o que veríamos?
Veríamos a materia tomando forma e se transformando em seres.
Como isso é possível? A matéria por si só possui vontade? É dotada de inteligencia?
No mesmo filme poderíamos ver todas as outras transformações da natureza, separando continentes, criando dunas, a erosão escavando o solo, vulcões mudando a paisagem…mas nada disso faria nada comparável aos seres vivos…Por que?