Extra! Extra! Entrevista com Reinaldo Azevedo na íntegra

A revista Atlântico, em seu blogue, publica na íntegra a entrevista que fiz ccom Reinaldo Azevedo para a edição de dezembro do ano passado. Espero que gostem:
Publicamos na íntegra a entrevista a Reinaldo Azevedo [Revista Atlântico de Dezembro]
Conversas Atlânticas
“Saramago é um produto do capitalismo”
O colunista e jornalista brasileiro, Reinaldo Azevedo, publica na mais influente publicação de circulação nacional, a revista Veja. Mantém ainda o blogue político com o seu próprio nome, um dos mais visitados e polémicos do país desde que abriu em 2006. Em entrevista, diz que o comunismo substituiu a religião e vive da ignorância, também no Brasil: “do socialismo, sobram, no máximo, os interesses corporativistas disfarçados de interesse público”. Reinaldo, hoje com 46 anos, foi trotskista nos tempos da ditadura militar no Brasil. Entrou, por acaso, na militância esquerdista na clandestinidade. “Eu tinha 14 anos, em 1975, e era dono de uma certa inquietude política. Não havia nada de propriamente ideológico. Era inconformismo”. Aqui fica a entrevista.
por Bruno Garschagen
A capa da Atlântico com Che Guevara convertido em Hitler foi discutida em Portugal e, depois de a referir no seu blogue, ampliou a repercussão na blogosfera portuguesa e rufou os tambores na blogosfera brasileira. Soube da repercussão? O que achou da imagem?
Estou sabendo agora. É bom que assim seja, não é? Está na hora de enterrar este cadáver adiado da ideologia, que ainda procria. A imagem é muito boa. Ele teve uma vida facinorosa e a alusão ao tirano-modelo cai-lhe muito bem. Em Loués soient nos seigneurs, Régis Debray [Paris, Gallimard, 1996, com o subtítulo Une éducation politique], que foi seu colega de luta e de ideologia na Bolívia, diz o diabo a respeito do mártir. Guevara cumpriu o destino dos heróis da esquerda desde Robespierre. Destino não, escolha: não é possível impor o comunismo se não for debaixo de porrete e sobre uma montanha de cadáveres. Então, eles escolhem a tirania, que faz parte da essência do modelo. A esquerda pode tentar fazê-lo com cravos, como em Portugal. Como se vê, não dura muito. Se há liberdade, é claro que viceja o capitalismo, e a ilusão passa depressa. Do socialismo, sobram, no máximo, os interesses corporativistas disfarçados de interesse público. Não conheço a realidade portuguesa, mas eu apostaria alguns bons tostões que os sindicatos são de esquerda. Quase sempre eles são. E o que garante a sua existência? Ora, o modelo com o qual eles gostariam de acabar se chegassem ao poder. Não se consegue ser esquerdista sem cultivar esse paradoxo, que “eles” chamam “dialéctica”. A dialéctica é o esconderijo dos canalhas intelectuais que, ou querem reescrever o passado, ou tentam justificar os seus erros de prospecção.
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[…] Está disponível no Blogue da Atlântico a versão integral da entrevista a Reinaldo Azevedo publicada na edição de Dezembro. O entrevistador foi Bruno Garschagen. […]